

VOCAÇÃO
Assim como Moisés, recém-nascido, enfrentou perigos de morte nas águas do Nilo e foi salvo, eu, há 23 anos atrás, um cristão recém-nascido, fui salvo dos perigos de morte numa praia do Atlântico e nasci como catequista. Meu nascimento como catequista, não foi apenas em função de meu livramento, foi também, e especialmente, porque nesse dia, na mesma aflição que eu, estava meu catequista que veio a falecer. Mas como diz São João, “se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só” (Jo 12, 24). Ezequiel foi grão de trigo pra mim e para muitos, morreu e não ficou só.
Também como Moisés, depois de salvo me perdi no Horeb (uma terra deserta, seca, desolada), não daqueles onde é o Espírito quem nos conduz para que nos empenhemos num grande trabalho, mas sim naqueles desertos que nós mesmos damos causa por não evitarmos o pecado. Foram anos nesse deserto, mas na hora certa...
Ainda a exemplo de Moisés, também estive na Montanha de Deus (que se ergue abruptamente na planície deserta) e o Pai se manifestou a mim, só que, no meu caso, a sarça ardente foi (tem sido) o Glorioso São José. Desde que o encontrei, na verdade o “descobri” depois de tanto tempo, reacendeu-se a chama que queimou em mim a partir daquele dia trágico (na visão puramente humana), pela morte de um catequista e amigo; ao mesmo tempo foi um dia agraciado (conforme a vontade de Deus), pois dos seus desígnios, me impeliu a seguir a vocação de catequista.
Hoje, no serviço catequético, espero, ainda que vivendo na carne, não militar segundo ela, direcionar todo meu pensamento à obediência a Cristo e aniquilar “todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus” (2 Cor 10, 3ss). Seguindo assim, desejo ser digno do Ministério da Catequese.