A Bíblia Como um Bosque
- 17 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 26 de jan.
Podemos comparar a leitura e o estudo da Bíblia a uma série de caminhadas por um bosque espesso. Da mesma forma como nunca é possível desvendar inteiramente o bosque numa única visão, sendo necessário descobri-lo gradualmente, assim também é com a Bíblia: nosso conhecimento dela é feito mediante a soma de descobertas que mutuamente se implicam e completam.

O bosque muda continuamente: é diferente a cada hora do dia, muda o panorama e a roupagem quando o tempo muda e com a variação das estações. Também a Bíblia oferece um semblante diferente para cada momento do dia, para cada estação da vida e para cada estado de ânimo do seu leitor. Quem entra pela primeira vez no bosque não se dá conta de que é um universo habitado. Seus habitantes quase sempre são invisíveis, mas quem possui sentidos apurados consegue adivinhar a presença deles. O frequentador assíduo do bosque dirá a vocês qual pássaro canta, qual animal deixou pegadas no caminho, de qual animal é o pelo que ficou preso a um arbusto. O leitor da Bíblia, como o frequentador e conhecedor do bosque, é alguém que se exercitou para descobrir na Bíblia os traços de um fascinante mistério que chamamos Deus.
Como não podemos conhecer o bosque sem percorrê-lo e examiná-lo continuamente, assim também nosso conhecimento e familiaridade com a Bíblia será o resultado de longa série de caminhadas no espesso bosque das suas narrativas, das suas orações, das suas personagens, das suas histórias.
Gastone Boscolo (A Bíblia na História)
Boscolo nos apresenta uma metáfora interessante sobre como nós nos relacionamos com a Sagrada Escritura. Ele nos lembra que mesmo sendo a Bíblia o livro mais impresso e comercializado do mundo, não é o mais lido nem o mais conhecido. Ainda pior é a constatação de que "em campo católico, a Bíblia é muito pouco conhecida" (Boscolo, 2021, p. 13, grifo meu).
Daí podemos refletir se nossas caminhadas nesse bosque são frequentes, se estamos examinando-o continuamente, ou se apenas entramos lá de vez em quando, de vez em nunca...(!)
Isso é aplicável não apenas ao estudo da Bíblia em sentido estrito, mas também e principalmente, se aplica à nossa vida de oração (em outro artigo entraremos nesse assunto). Então catequista, para melhor desempenhar o ministério, é preciso visitar esse bosque diariamente, seja para orar com a Palavra, seja para estudá-la em suas dimensões histórico-sociais, linguísticas e culturais.
Por fim, vou deixar duas perguntas: catequista, além das leituras dominicais, quantas vezes na semana você lê (pra estudar ou orar) a Bíblia? Algum de vocês já leu a Bíblia completa?




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