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Advento: Espera, Conversão, Memória e Esperança Cristã

  • 30 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 1 de dez. de 2025

O Advento inaugura o ano litúrgico como um tempo singular, em que a Igreja caminha entre a memória da vinda histórica de Cristo e a esperança vigilante de sua volta gloriosa. Marcado por sobriedade, alegria discreta e símbolos cheios de significado, esse período convida os fiéis a renovar o coração na expectativa daquele que veio, vem e virá.

Formação Histórica do Advento

O Tempo do Advento é marcado por uma dupla dimensão: recorda a primeira vinda de Cristo, o Verbo Encarnado, e prepara os fiéis para a sua segunda vinda gloriosa no fim dos tempos. Por isso, é vivido como um período de expectativa piedosa e alegre. Destaque-se que o "fim dos tempos" não se trata do fim do mundo, mas sim, desse tempo inaugurado com a primeira vinda de Cristo e que se encerrará quando ele voltar definitivamente em sua glória.
Historicamente, a palavra advento designava a chegada de uma figura importante, como um imperador, e foi incorporada pela liturgia cristã para indicar a espera solene de Cristo. Até o século VIII, o ano litúrgico começava com a Páscoa, mas progressivamente, desde o século IV, passou a iniciar-se com o ciclo do Natal. No final do século VIII, a Igreja Romana consolidou o início do ano litúrgico no primeiro domingo do Advento, como testemunha o Ordo Romanus XV (um dos aproximadamente 50 manuais litúrgicos utilizados entre o Sécs. VII e XII).
Na pré-história do Advento, o período surgiu como prática ascética (exercícios espirituais) mais do que litúrgica. No Ocidente, desde o século IV, havia semanas de penitência e jejum em preparação ao Natal, como na Gália, onde se jejuava três vezes por semana a partir da festa de São Martinho (11 de novembro). Por isso, o Advento era chamado de “quaresma de São Martinho”.
Já no século VI, sob São Gregório Magno, o Advento estruturou-se em quatro semanas: as primeiras com caráter escatológico, voltadas para a segunda vinda de Cristo, e os últimos dias como preparação imediata para o Natal. Essa divisão foi mantida na reforma litúrgica de Paulo VI em 1969. Entre os séculos X e XI, firmou-se definitivamente a prática romana dos quatro domingos.
O aspecto penitencial foi fortemente enfatizado em algumas tradições, como na liturgia galicana, que omitia o Glória e o Aleluia e usava paramentos roxos. Contudo, Roma nunca suprimiu o Aleluia, não considerando o Advento como tempo de penitência estrita.
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Considerações Teológicas, Espirituais e Litúrgicas

O Tempo do Advento inaugura o ano litúrgico e possui uma característica singular: é ao mesmo tempo fim e começo. Nas primeiras semanas, até 16 de dezembro, a liturgia enfatiza a dimensão escatológica, ou seja, a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos. A Igreja vive a tensão entre o “já” da salvação realizada em Cristo e o “ainda não” de sua plena manifestação futura. Essa perspectiva aparece nos chamados prefácios escatológicos (I e IA). Já entre 17 e 24 de dezembro, o foco desloca-se para o primeiro Advento, a encarnação do Verbo em Belém, evidenciado nos prefácios natalícios (II e IIA). Assim, o Advento recorda tanto a vinda histórica de Cristo quanto sua vinda gloriosa, sendo a primeira garantia da segunda.
A teologia do Advento reconhece ainda um Advento intermediário, vivido no presente, quando Cristo se manifesta espiritualmente pela graça. São Bernardo descreveu essa tríplice vinda: na carne, na graça e na glória. Por isso, a Igreja proclama continuamente: “O Senhor veio, o Senhor vem, o Senhor virá”, e clama: Maranathá, “Vem, Senhor Jesus!”.
A espiritualidade do Advento exige do cristão conversão, vigilância alegre e esperança. Não se trata apenas de preparar o Natal, mas de viver a memória das três vindas do Senhor. Três figuras bíblicas iluminam esse tempo: Isaías, que anuncia a esperança messiânica; João Batista, que prepara os caminhos do Salvador; e Maria, que com seu “sim” torna-se modelo de disponibilidade à salvação. Os símbolos, textos e cantos do Advento remetem ao mistério da encarnação e à espera do Reino.
A coroa do Advento (imagem acima) tem origem em costumes pagãos do norte europeu, que iluminavam rodas para homenagear o deus do sol no inverno. Cristãos adaptaram o símbolo, acrescentando velas progressivamente: três roxas, sinal de penitência, e uma rosa no terceiro domingo, expressão de alegria pela proximidade do Natal.
A coroa do Advento (imagem acima) tem origem em costumes pagãos do norte europeu, que iluminavam rodas para homenagear o deus do sol no inverno. Cristãos adaptaram o símbolo, acrescentando velas progressivamente: três roxas, sinal de penitência, e uma rosa no terceiro domingo, expressão de alegria pela proximidade do Natal.
A liturgia do Advento é marcada por sobriedade e alegria discreta. O Glória é omitido, reservado para a noite do Natal, embora o Aleluia permaneça. A ornamentação é moderada, evitando antecipar a festa natalina. As vestes litúrgicas são roxas, com exceção do terceiro domingo (Gaudete), em que se usa o rosa, sinal de alegria. A coroa do Advento, com velas acesas progressivamente, simboliza a luz crescente que anuncia Cristo, sol nascente da salvação.
Nos aspectos práticos, o Missal Romano orienta a omissão do hino de louvor e a moderação na ornamentação. As Normas Gerais estabelecem que o Advento começa no domingo mais próximo de 30 de novembro e dura três a quatro semanas. Até 16 de dezembro, prevalece o aspecto escatológico; de 17 a 24, a preparação imediata para o Natal. O Lecionário organiza leituras: Isaías e profecias messiânicas na primeira parte; João Batista na segunda; e, na última semana, os relatos de Mateus e Lucas sobre o nascimento de Jesus.
O Advento tem dupla característica: expectativa da segunda vinda e preparação para o Natal, vivida em clima de moderação. O rito inicial não inclui o Glória, e a cor litúrgica é roxa, com rosa no domingo Gaudete. Quanto à coroa do Advento, as velas podem ser acesas em momentos diversos da celebração, sempre de modo visível e significativo.
Assim, o Advento é tempo de espera jubilosa, de memória da encarnação e de esperança na vinda gloriosa de Cristo, que conduz o fiel à vigilância, conversão e alegria discreta diante do mistério da salvação.
 

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SOBRE MIM

Pai, esposo, devoto de São José e catequista que, entre idas e vindas, fui mais uma vez resgatado pelo amor do Pai e desejo compartilhar experiências, dúvidas e conhecimentos sobre catequese e tudo que a ela se relaciona.

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