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Carta de Um Catequista em Defesa da Fé Católica

  • 25 de mar. de 2025
  • 6 min de leitura


Catequistas, vocês já encontraram desafios relacionados a defesa da nossa fé? É comum as interpelações quanto ao que ensinamos e a pergunta "onde está na Bíblia?", especialmente quando são irmãos oriundos de outras denominações cristãs. Abaixo uma catequese sobre isso na forma de carta de um catequista à seu grupo de catequizandos.

Sagrada Escritura, Tradição e Magistério da Igreja
A fé católica se sustenta nessas três colunas: Escritura, Tradição e Magistério

 

Estimados irmãos em Cristo,

 

A tarefa do catequista é ecoar e ressoar Jesus a todos. Jesus e seus ensinamentos foram ressoando no mundo através de seus Apóstolos e dos padres apostólicos (sacerdotes que conheceram os Apóstolos e transmitiram a FÉ que deles receberam. Com o passar do tempo essa tarefa deixou de ser exclusiva dos sacerdotes e diáconos e nós, leigos, somos também responsáveis por sua execução. Tanto é, que atualmente a catequese é um ministério instituído.

Pra cumprir zelosamente essa missão, o catequista precisa ser fiel à Sagrada Escritura (sem torná-la objeto de idolatria), a Tradição Apostólica (o que foi transmitido pelos Apóstolos aos seus sucessores) e o Magistério da Igreja (o que ela ensina sobre e conforme a Sagrada Escritura e a Tradição) em cada tempo histórico que ela viveu e vive desde seu início.

A Igreja é Católica, Apostólica e Romana. Essa é a Igreja de Jesus Cristo, como está escrito em Mateus 16, 18s: “tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.”

Igreja vem do grego εκκλησία (ekklésia), no latim ecclesia, que "na linguagem cristã, designa a assembleia litúrgica, mas também a comunidade local ou toda a comunidade universal dos crentes. Estes três significados são, de fato, inseparáveis" (Catecismo da Igreja Católica, n. 752).

Católica vem do adjetivo grego katholikós, que significa universal, ou seja, a assembleia dos seguidores de Cristo, a Igreja, é universal, é para todos os homens e mulheres que acolhem e professam a fé da Igreja em Jesus Cristo. Ou seja, a Igreja "é o povo que Deus reúne no mundo inteiro. Ela existe nas comunidades locais e realiza-se como assembleia litúrgica, sobretudo eucarística. Vive da Palavra e do Corpo de Cristo, e se torna, assim ela mesma, corpo de Cristo" (idem).

Essa assembleia universal é Apostólica porque foi, e é, por meio dos Apóstolos e seus sucessores, que conhecemos e aceitamos a fé em Cristo. É Romana porque aprouve a Deus, nosso pai, diante das contingências histórias, tornar o centro de poder que lhe infligiu as maiores perseguições em seus primeiros dias, na cidade sede da assembleia dos seguidores de Cristo, demonstrando que os desígnios do Senhor são insondáveis ao entendimento humano. Assim, mesmo que haja em outras denominações cristãs muitos bons exemplos, essa é a nossa Igreja, a Igreja de Cristo.

Considerando tudo isso, não posso me furtar ao dever de ecoar o que a Igreja ensina, ainda que para isso precisem ser colocados alguns fatos (não opiniões) para esclarecer ou ilustrar os elementos da nossa fé. Sendo assim, não tenho, nem tive jamais, em meus colóquios como catequista a intenção de dividir ou ofender alguém ou alguma religião. Vocês considera que eu, nesse período que estamos juntos, prego a diminuição de outras religiões?

É importante refletir sobre como convicções afetivas podem se tornar pretexto para rotular e taxar as falas das pessoas como discurso de ódio ou de diminuição de outras religiões. As religiões cristãs têm similaridades de crença, mas também têm pontos inconciliáveis que nós temos o dever de explicar. Tratar destes fatos como adultos, dando às coisas o nome que elas têm, não é criar ódio ou diminuir ninguém. Até porque, alguém ser católico não o impede de conhecer métodos, crenças e doutrinas de credos protestantes e outros. Ao catequista é até necessário para ensinar o respeito por elas, porém sem que se deixe de mostrar o que há nelas de incompatível.

A resposta que vocês me pediram, entra também no rol do pensamento protestante de que falei. Perguntam “onde está na Bíblia, isso que você falou?”. É comum o desprezo por pontos da nossa fé alegando-se justamente isso: “onde está na Bíblia?”. Não é uma questão de Bíblia, é do catolicismo. Esse tipo de apostasia (negação da fé) provém de uma das formulações teológicas de Martinho Lutero, a chamada sola scriptura, segundo a qual acredita-se que os escritos sagrados são a única fonte da doutrina cristã. Nós temos a Bíblia como uma das palavras de Deus, pois a Palavra é o próprio Cristo. E mais, só a temos porque primeiro tivemos os Apóstolos e a Igreja.

Mas, se é da Bíblia querem uma resposta, eu tenho a lhes mostrar apenas o texto de Mateus que citei acima: “...sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. Ou seja, foi em Pedro e em seus sucessores que a Igreja de Cristo foi edificada. O Magistério, não só a Bíblia, nos diz que é possível, pela graça de Deus, que pessoas de outras religiões se salvem. Sobre os não-cristãos, é dito que

 

Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna (idem, n. 16).

Porém, isso não significa dizer que tanto faz qualquer credo, "se fala de Deus, eu vou". Se assim fosse, não precisaríamos de sacerdotes, catequistas e todos os outros ministros. Pois, se tudo vale, nada vale. É equivocado dizer que um umbandista, um espírita, ou um protestante, por exemplo, somente por acreditarem em Jesus e praticarem boas ações estão salvos “pela fé”. Salvar-se pela fé, associa-se à um conjunto de práticas que se deve evitar e que essas pessoas por vontade própria não evitam. Há uma expressão de São Cipriano de Cartago dos Santos Padres, do início do cristianismo (Séc. III) que diz extra Ecclesiam nulla salus – fora da Igreja não há Salvação –, cuja interpretação do Magistério da Igreja ensina-nos após o Vaticano II, que tal fórmula “significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja que é o seu Corpo” (Catecismo da Igreja Católica, n. 846).


"Extra Ecclesiam Nulla Salus" - São Cipriano de Cartago
"Extra Ecclesiam Nulla Salus" - São Cipriano de Cartago

O sagrado Concílio volta-se primeiramente para os fiéis católicos. Fundado na Escritura e Tradição, ensina que esta Igreja, peregrina sobre a terra, é necessária para a salvação. Com efeito, só Cristo é mediador e caminho de salvação e Ele torna-Se-nos presente no Seu corpo, que é a Igreja; ao inculcar expressamente a necessidade da fé e do Batismo (cf. Mc 16,16; Jo 3,15), confirmou simultaneamente a necessidade da Igreja, para a qual os homens entram pela porta do Batismo. Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar. (Constituição Dogmática, Lumen Gentium, n. 14)

 

Ainda assim, não se implica dizer que quem é católico está automaticamente salvo, já que cabe a Deus “por caminhos que só Ele sabe, possa conduzir à fé, sem a qual é impossível ser-se-Lhe agradável” (Decreto Ad Gentes, sobre a missão da Igreja, n. 7 e Hb 11, 6) mas temos uma liturgia sacramental que, se vivida com a devida disposição, nos aproxima da salvação, nos faz nascer na fé (Batismo), reaviva nossa fé (Crisma), nos alimenta (Eucaristia), nos cura (Penitência e Unção), nos põe em serviço (Ordem Matrimônio). E eu teria várias coisas a apontar, sobre diversas religiões, inclusive cristãs, que contrariam o Caminho, a Verdade e a Vida, mas não para diminuí-las ou nutrir ódio por elas, mas apenas para sabermos o que devemos evitar. 

As vezes vocês mencionam entes familiares muito queridos que já se foram e professavam credos protestantes. Certamente foram referências de pessoas e de cristãos que vocês tiveram e guardam esse afeto até hoje. É muito importante ter alguém assim na nossa vida. Então, não sei se de alguma forma a nossa catequese afetou a boa memória que vocês têm dessas pessoas, mas, não tomem palavras contrárias aos protestantes como uma agressão ou ofensa à memória de seus amados familiares.

Continuem cultivando os ensinamentos deles em seu coração. Contudo, se me permitem lhes aconselhar, seria muito importante que procurassem distinguir, no mais íntimo do seu entendimento, as grandes pessoas que foram e o que significam pra vocês, da religião que professavam. Não é uma imposição, é uma orientação que vocês podem, ou não, seguir. Mas saibam, é com o maior senso de irmandade que o faço.

Por fim, deixo-lhes um fraterno abraço e peço-lhes perdão se, de alguma forma, se sentiram ofendidos. Não foi essa, jamais, a minha intenção. Desejo que o Espírito Santo fortaleça cada dia mais sua fé e lhes guarde de toda falsa doutrina, pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo.

 

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SOBRE MIM

Pai, esposo, devoto de São José e catequista que, entre idas e vindas, fui mais uma vez resgatado pelo amor do Pai e desejo compartilhar experiências, dúvidas e conhecimentos sobre catequese e tudo que a ela se relaciona.

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