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Catequista: Jardineiro de Gente?

30 de ago.
4 min de leitura
Saudações a todos os catequistas espalhados por todo o mundo. Hoje é um dia especial para toda a Igreja que está presente nos mais distantes e longínquos rincões do nosso planeta. Ela só pode estar em todos os lugares do mundo porque houve quem anunciasse e ecoasse a mensagem que Cristo deixou aos Apóstolos desde os primeiros passos daqueles que quiseram seguir “o Caminho”, caminho que se tornou assembleia (Igreja), que se tornou o corpo cujo Cristo é a cabeça (Ef 1,22-23; 5,23; Cl 1,18).

Não à toa é que o Papa Francisco reconheceu aquilo que realmente é a catequese: um antigo ministério na Igreja (Antiquum Ministerium, n. 1). Por isso, hoje parabenizamos todos aqueles que estão dispondo nesse momento, bem como aqueles que dispuseram antes de nós, suas vidas para o Ministério de Catequista. Não obstante o dia celebrativo, ele precisa ser também reflexivo no sentido de avaliarmos como tem sido nossa jornada nesse ministério.

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Quando iniciei minha jornada como catequista, há pouco mais de duas décadas, era corrente entre nós a frase “ser catequista é ser jardineiro de gente”. Usando esse conhecido jargão podemos refletir como tem sido nosso “ser catequista” nesse dia em que celebramos esse tão importante ministério para a vida e missão da Igreja.

Se começarmos pelo “ser jardineiro de gente”, precisamos lembrar que o jardineiro é aquele que cuida das várias plantas, flores e frutos de um jardim. Para dispensar o correto cuidado ao que lhe foi confiado ele precisa conhecer métodos e técnicas que lhe permitam manter o jardim sempre vivo, belo e frutuoso. Se alguém começa a cuidar de jardins sem conhecer o ofício, sem ter sido formado para ele, é bem provável que o jardim perca sua vida, beleza e frutos. Imagine receber hoje a missão de cultivar o jardim de tulipas do Parque Keukenhof, na Holanda, sem que ninguém te ensine como cuidar delas! Será que funcionaria? Se o jardineiro aprende bem seu ofício, seguindo aquilo que seus mestres indicaram é mais provável que alcance os resultados esperados.

Parque Keukenhof, Holanda
Parque Keukenhof, Holanda

Isso se aplica também ao catequista, porém, com a ressalva de que no nosso caso, aprender e aplicar métodos e técnicas não é o bastante para cuidar de gente, é preciso que o catequista tenha íntimo contato com a oração e reconheça que a adesão que se espera dos catequizandos não é mérito seu ou de suas técnicas e métodos, mas sim, da graça de Deus e da livre escolha de cada um.

Nesse sentido, o Diretório Catequético Geral, de 1971, nos lembra que “é necessário que a atividade do catequista seja acompanhada pela oração” (DCG, n. 71). Na mesma linha, o Diretório Geral para a Catequese (1997), assevera que o método escolhido pelos catequistas só tem vida quando ele soma “o carisma que lhe é dado pelo Espírito Santo, uma sólida espiritualidade e um transparente testemunho de vida” (DGC, n. 156) às suas próprias qualidades humanas e cristãs.

Por isso, “ser jardineiro de gente” é tornar nossa atividade “sempre amparada pela fé no Espírito Santo e pela oração” (DGC, idem). Também o mais recente Diretório para a Catequese (2020) se afina nesse mesmo tom ao dizer que “o verdadeiro protagonista de toda a catequese autêntica é o Espírito Santo que, mediante uma profunda união que o catequista nutre com Jesus Cristo, torna eficazes os esforços humanos na atividade catequética” (DC, n. 112). Portanto, se ser jardineiro é difícil, pois necessita muito esforço e conhecimento, muito mais difícil é ser jardineiro de gente!

Ser catequista é... muito mais do que ter um cargo ou função, é dom concedido pela graça de Deus. Mas, infelizmente, é comum vermos irmãos e irmãs entrarem no serviço da catequese como se estivessem assumindo um cargo no qual ele pode ligar e desligar a função catequista quando for conveniente. Na hora do encontro catequético, na hora da homenagem, na hora da missa (é bem verdade que alguns, nem na missa) das palmas, ele(a) está modo “catequista on” (ligado). Contudo, quando precisa “relaxar a mente” tomando parte em lugares ou a companhia de certas pessoas, a função catequista é convenientemente desligada.

O nosso Diretório Nacional de Catequese (DNC, n. 261), de 2006, aponta que o modelo para ser catequista é Jesus, Mestre e servidor. Para alcançar este perfil ideal que se constrói ao longo da caminhada, o catequista precisa ser formado em três dimensões: ser, saber e saber fazer (DGC, n. 238; DNC, nn. 261-276), ou seja: seu rosto humano e cristão, seu testemunho e guarda da memória de Deus; o conhecimento adequado (bíblico, doutrinário e teológico) sobre a mensagem do Evangelho e do contexto em que vive; e sua competência metodológica. O novo Diretório para a Catequese destaca ainda um desdobramento da dimensão do ser catequista que é o “saber ser com” (DC, n. 140). Esse desdobramento é a capacidade de se relacionar com as pessoas e com a Igreja de forma fraterna, serena, moral e eticamente responsável (DC, nn. 141-142).

Sendo assim, meus irmãos e irmãs, ser catequista (jardineiro de gente) carrega em si uma beleza inata pelo que ecoa, transmite e vive. Todavia, essa beleza é acompanhada de responsabilidades e deveres que devemos nos esforçar ao máximo para cumprir para que nosso ministério não seja estéril. Vestir uma camisa bonita onde se lê “Catequista com amor e por amor” não basta para atendermos as necessidades que o ofício nos impõe quando aceitamos exercê-lo. Peçamos à Deus Todo-Poderoso que vivifique em nós os dons de nossa consagração batismal, plenamente derramados e selados em nós na nossa Confirmação, para que nosso ser catequista esteja, dia após dia, mais próximo do modelo de Jesus Mestre e servidor.

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Neste 30 de agosto, o site Antigo Ministério parabeniza aos catequistas de todas as idades, cores e lugares. Que Deus fortaleça nosso ser, nosso saber e nosso saber fazer no ministério catequético.


FELIZ DIA DO CATEQUISTA!

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SOBRE MIM

Pai, esposo, devoto de São José e catequista que, entre idas e vindas, fui mais uma vez resgatado pelo amor do Pai e desejo compartilhar experiências, dúvidas e conhecimentos sobre catequese e tudo que a ela se relaciona.

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