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Conversão, Fidelidade e Perdão: revendo a 3ª Semana da Quaresma

  • 14 de mar.
  • 2 min de leitura
O que a Samaritana, o Publicano e o Credor Incompassívo têm em comum? A liturgia da 3ª semana da Quaresma, encerrada onte, desenha um roteiro exato sobre o que significa ter Deus como único Senhor. Não se trata apenas de leis, mas de uma fidelidade que passa pelo perdão radical e pela humildade profunda.

Vocês devem estar se perguntando o porquê somente após o termino da 3ª Semana da Quaresma é que estou escrevendo. Explico: ao longo dos dias ao fazer a lectio divina de todos os textos da liturgia diária fui me sentindo mais tocado a compartilhar as minhas orações. Daí é que segue somente agora o presente texto.

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A caminhada quaresmal não é uma simples contagem regressiva para a Páscoa, mas um itinerário de purificação da nossa fidelidade. Ao percorrermos os Evangelhos da última semana, percebemos que o fio condutor de toda a liturgia é a restauração de Deus como o único Senhor de nossas vidas, um processo que exige o desmonte de nossos ídolos internos e a aceitação de nossa fragilidade.
Vamos começar com a verdade sobre nós mesmos. No encontro com a Samaritana (Jo 4,5-42), Jesus revela que buscamos saciar nossa sede de infinito em poços secos (prazeres, posses, status). Reconhecer a sede é o primeiro passo para a fidelidade: admitir que nada, além de Deus, preenche o vazio do ser.
Essa humildade é consolidada na parábola do Fariseu e do Publicano (Lc 18,9-14) na última litiugia dessa semana. A autossuficiência do fariseu é o oposto da fidelidade, pois ele adora a si mesmo e às suas próprias obras. Já o publicano, ao bater no peito, professa que Deus é o seu único recurso. Fidelidade a Deus começa onde termina a confiança cega em nossas próprias virtudes.
A prova real de que Deus é o nosso Senhor se manifesta em como tratamos o outro. Se Deus é o "Senhor da Misericórdia", não podemos agir como "senhores da condenação". A parábola do credor incompassivo (Mt 18,21-35) nos alerta que reter o perdão é um ato de idolatria ao próprio ego ferido. Quando perdoamos "setenta vezes sete", estamos declarando que o modo de ser de Deus tem autoridade sobre nossos sentimentos e rancores.
Neste sentido, o combate espiritual relatado em Lucas 11,14-23 ganha novo fôlego: a expulsão dos demônios e a unidade com Cristo mostram que o coração humano não tolera vácuos. Ou ele é habitado pelo Senhorio de Deus, ou será ocupado por forças que nos dividem.
Por fim, a liturgia converge para O Maior Mandamento (Mc 12,28b-34) e a Plenitude da Lei (Mt 5,17-19). A fidelidade a Deus como único Senhor não é uma obediência servil a regras frias, mas uma entrega amorosa. Jesus não anula a Lei, Ele a conduz ao coração: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Essa síntese, a fidelidade cristã é, portanto, um movimento de saída de si: reconhecemos nossa sede, abandonamos nosso orgulho, perdoamos o irmão e, finalmente, repousamos no amor que é o cumprimento de toda a vontade divina. Que este tempo nos ajude a retirar do trono de nossas vidas tudo o que não for o Cristo, o Senhor que nos libertou.

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SOBRE MIM

Pai, esposo, devoto de São José e catequista que, entre idas e vindas, fui mais uma vez resgatado pelo amor do Pai e desejo compartilhar experiências, dúvidas e conhecimentos sobre catequese e tudo que a ela se relaciona.

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