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Semana Santa - Prova de Amor Maior Não Há! (Parte 1)

  • 13 de abr. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 14 de abr. de 2025

  A Semana Santa, é o centro do Ano Litúrgico – nela acompanhamos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, passamos pelos episódios da unção dos pés de Jesus por Maria, irmã de Lázaro, e pela traição de Judas, até culminarmos em sua Paixão, Morte e Ressureição. Tudo isso fazemos celebrando e orando com a Liturgia do Tríduo Pascal e agindo (buscando agir) na imitação de Cristo para com ele ressuscitarmos em sua volta gloriosa.
O Catecismo nos ensina que Jesus, voluntariamente, seguiu para Jerusalém, mesmo sabendo que lá morreria, porque isso era a vontade do Pai. Ele quis reunir a todos, mas nem todos querem unir-se a ele. Ao avistar, de longe a cidade, Jesus chora por aqueles que não compreendem o significado do Reino de Deus (Lc 19, 41-43). A tristeza de Jesus é ver que onde há tudo para que o plano de Deus se realize, o que se vê é a recusa decidida em cumprir a vontade divina. Ainda assim, a entrada de Jesus em Jerusalém manifesta a vinda do Reino que o Rei-Messias vai realizar pela Páscoa da sua morte e da sua ressurreição. É com a celebração dessa entrada, no Domingo de Ramos, que a Liturgia da Igreja inicia a Semana Santa (CIgC).
Domingo de Ramos. Entrada de Jesus em Jerusalém
Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
A aclamação “bendito o Rei que vem em nome do Senhor” (Lc 19, 38), juntamente a tudo que já havia feito e dito, foi o fundamento para a prisão, julgamento e morte de Jesus. saduceus, fariseus, zelotes, romanos, os interesses desses e de outros grupos eram afrontados pelo anúncio do Reino. Contudo, este Rei-Messias, além de vencedor, é também humilde, justo, pacífico e agregador. Isso rompe com o modelo esperado, não apenas pelos judeus, mas também por seus inimigos, de um rei nacionalista, guerreiro e vingativo (imagem atribuída também a Deus).
Somente no Evangelho de Lucas (próprio da leitura dominical no Ano C) a aclamação de Jesus como rei, retirada do Salma 117 (118), não é precedida do “hosana!”. Originalmente, no hebraico, a expressão hoshi’na nna, significa “salve!”, aproximando-se de “salva-nos!” e “dá a salvação!”, conforme vemos nas traduções do Salmo 117 (118) abaixo. Nas traduções CNBB, Pastoral, Ave Maria (ed. de estudos) e Jerusalém, respectivamente temos:
 
  • Dá, Senhor, tua salvação! Dá, Senhor, tua vitória. Bendito o que vem em nome do Senhor!
  • Javé, dá-nos a salvação! Dá-nos a prosperidade, Javé! Bendito o que vem em nome de Javé!
  • Senhor, dá-nos a salvação; dá-nos a prosperidade, ó Senhor! Bendito seja o que vem em nome do Senhor!
  • Ah! Iahweh, dá-nos a salvação! Dá-nos a vitória, Iahweh! Bendito o que vem em nome de Iahweh!

Lucas pode ter suprimido a expressão, devido ao fato de escrever para uma comunidade cristã na qual predominavam cristãos não-judeus, ou seja, gentios que se converteram. Para estas comunidades a construção textual encontrada em Mateus, Marcos e João, com variações dos versículos 25 e 26 do Salmo 117 (118), tavez não tivesse tanto sentido, quanto para um judeu que se converteu a Cristo. Note-se que mesmo eles escrevendo em grego, não trouxeram a tradução "salva-nos", mas sim a palavra grega Ὡσαννά (hōsanná), que é uma transliteração do hebraico hoshi’na nna. Isso pode indicar que escreviam para comunidades judeo-cristãs, onde essa a referência à salvação realizada pelo sacrifício de Cristo faria mais sentido.
O significado latino de "hosana" incorporou o sentido de saúde e glória. Assim, retomamos essa aclamação em toda celebração eucarística para iniciarmos o memorial da Páscoa de Cristo, dando-lhe louvor e glória. Pois, por sua Paixão, Morte e Ressurreição fomos salvos.
Antes de falarmos sobre o Tríduo Pascal, centro de toda a nossa Liturgia, é preciso não deixarmos de lado os Evangelhos que antecedem a Santa Ceia e o Lava Pés. Agora vamos entrar um pouco nas realidades contidas em Jo 12, 1-11, 13, 21-33.36-38, e Mt 26,14-25.

Unção em Betânia (Jo 12, 1-11): Nesta passagem, Maria unge os pés de Jesus com um perfume precioso e os enxuga com seus cabelos — um gesto de amor, entrega e adoração. Ela reconhece em Jesus o Senhor da vida, antecipando simbolicamente sua morte e sepultura. É um ato gratuito, belo, e profundamente íntimo. Mas diante da beleza do amor, surgem as vozes da crítica. Judas reclama do desperdício, escondendo sua verdadeira intenção. Ele fala de caridade, mas não ama nem a Jesus nem os pobres. Isso revela que nem todos que falam em nome do bem têm um coração sincero. Maria entendeu o momento: Ele está prestes a entregar-se por todos, e ela responde com amor generoso. O gesto dela nos lembra que o verdadeiro discípulo é aquele que reconhece o valor de Jesus acima de tudo. Nesse sentido, é importante não deixar de notar, ainda, que aderir ao projeto salvífico de Deus através de Jesus vai custar à Lázaro sua vida. O testemunho de Lázaro, era motivo para que muitos cressem, e isso incomodava aos poderosos de então.
unção em betânia. Maria unge os pés de Jesus
Maria, irmã de Lázaro, unge os pés de Jesus 
O amor que conhece a fraqueza (Jo 13, 21-33.36-38): Neste Evangelho, durante a Última Ceia, Jesus revela que será traído por um dos seus discípulos. Ele está profundamente comovido, não por medo da dor, mas pela tristeza de ver o coração de um amigo se fechar ao amor. Judas, mesmo sendo identificado, ainda é tratado com dignidade: Jesus lhe dá o pedaço de pão, um gesto de intimidade e amizade. A saída de Judas para a noite simboliza a escolha livre de caminhar para longe da luz. A escuridão não é só do tempo, mas da alma. Ainda assim, Jesus permanece firme no amor e se prepara para a sua glorificação na cruz — sinal de que a vitória de Deus vem pelo dom total de si. Pedro, por sua vez, promete fidelidade, mas Jesus anuncia sua negação. Isso mostra que, mesmo os mais entusiasmados podem cair. Mas, diferente de Judas, Pedro cairá, sim, mas depois se converterá e amará ainda mais profundamente. Essa passagem nos ensina que Jesus conhece nossas fragilidades, mas não desiste de nós. Ele nos ama antes, durante e depois de nossas quedas. A pergunta é: como respondemos a esse amor? Com conversão, como Pedro? Ou com fuga, como Judas?
traição de Judas
Traição de Judas - Deixa a luz e busca as trevas.
A liberdade humana e o amor traído (Mt 26, 14-25): Nesta passagem do Evangelho, vemos o contraste entre o amor fiel de Jesus e a liberdade mal-usada de Judas. Mesmo convivendo com o Mestre, Judas escolhe a traição por trinta moedas, revelando que é possível estar perto de Jesus e ainda assim rejeitá-lo no coração. Jesus, por outro lado, conhece o que está para acontecer, mas não se afasta. Ele celebra a Páscoa com os seus, incluindo o traidor, mostrando que sua entrega é voluntária e parte do plano de salvação. Seu amor não exclui ninguém, nem mesmo aquele que o trairá. A salvação, mesmo sendo dom, exige acolhida. Judas rejeita esse amor e, com isso, se afasta da vida. Deus nos dá a liberdade, mas nos convida a usá-la para o bem. Que o nosso coração não endureça, e que jamais traiamos o amor de Cristo por coisas que não têm valor diante da eternidade.

Por enquanto, vamos pensar na entrada triunfal, com multidão aclamando Jesus como Rei; no gesto amoroso de Maria, que unge os pés do Cristo e os enxuga com seus cabelos; na traição sem remorso de Judas e na negação dolorosa de Pedro. Poucos seguiram o Rei-Messias até o limite do amor (dar sua vida em favor de outros). Vamos celebrar e orar estas realidades para nos prepararmos bem para viver o Tríduo Pascal, assunto do nosso próximo texto. Até lá! Uma Semana verdadeiramente Santa para todos nós!

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SOBRE MIM

Pai, esposo, devoto de São José e catequista que, entre idas e vindas, fui mais uma vez resgatado pelo amor do Pai e desejo compartilhar experiências, dúvidas e conhecimentos sobre catequese e tudo que a ela se relaciona.

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