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Fé: Os Olhos da Alma (Parte 2)

  • 9 de abr. de 2025
  • 6 min de leitura

Atualizado: 7 de jul. de 2025

A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela Palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível. Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram. (Hb 11, 1-3.6)
 
Olá, minha gente! Hoje continuamos a reflexão iniciada na semana passado sobre a fé com base no sermão de Santo Agostinho De Fide Rerum Invisibilium (ou De Fide Rerum Quae Non Videntur). Daí termos começado com a citação da Carta aos Hebreus acima. Todo o capítulo 11 dessa Carta é um reconhecimento da fé dos patriarcas, e outros homens e mulheres justos, presentes no Antigo Testamento. Fé que se inicia com o amor de Deus pelo homem e culmina na devolução desse amor do homem para Deus. Do amor e da fé, estes homens e mulheres da Antiga Aliança cultivaram esperança, porque é a fé nos sustenta firmes na esperança daquilo que ainda não se vê, como é o caso da Parusia do Senhor e tantas outras coisas da vida diária, familiar, comunitária e eclesial.
 
3.     Evidências da Fé no Invisível e a Promessa Divina
 
Da mesma forma que o sermão refuta a ideia de que não se deve crer no que não se pode ver, destacando que há, mesmo nas relações humanas, indícios tornam possível acreditar em sentimentos e intenções invisíveis, ele afirma que a fé cristã não é desprovida de indícios, pois eventos preditos e realizados, como o crescimento da Igreja em todo o mundo, dão testemunho da veracidade da promessa divina feita a Abraão. A genealogia de Cristo, descendente de Abraão, reforça o cumprimento dessa promessa, demonstrando que todas as nações são abençoadas através dele. A Igreja é apresentada como prova viva dessa bênção, expandindo-se universalmente e confirmando a predição das Escrituras.
Também é discutido o nascimento de Cristo, enfatizando-se a plausibilidade do parto virginal como parte do plano divino, predito pelo profeta Isaías. Cristo, ao nascer como homem sem deixar de ser Deus, cumpre um propósito único: ser Deus conosco, mantendo sua soberania divina enquanto se encarna entre os homens. A unção espiritual que confere o título de Cristo é apresentada como um símbolo dessa missão divina, consolidada nas Escrituras. A Igreja, em sua glória e multiplicidade de línguas, é descrita como a realização de promessas proféticas, testemunhando o cumprimento da missão divina e a necessidade de fé nas coisas invisíveis.
Assim, celebra-se a Igreja como o cumprimento das promessas divinas feitas nas Escrituras. Ela, simbolizada como uma rainha fecunda de descendentes reais, abandona os antigos costumes do mundo para glorificar a Cristo como Senhor, assim como foi predito. A expansão universal da Igreja e sua capacidade de atrair multidões de diversas línguas e culturas são sinais claros do cumprimento das profecias. Desde as preces e ofertas feitas a Cristo pelas nações, até os ricos que abandonam sua soberba e buscam auxílio da Igreja, tudo evidencia a realização das promessas divinas. Dessa forma, sua glória é manifesta tanto internamente, em sua renovação espiritual, quanto externamente, através de sua atuação e pregação global, confirmando sua posição como testemunho vivo da bênção divina.
Os indícios claros da realização das profecias refutam a incredulidade dos opositores. Esses eventos, preditos há séculos e agora cumpridos com clareza, como o crescimento da Igreja, são evidências inegáveis da veracidade das promessas divinas. A abundância de fatos observáveis obriga até os inimigos da Igreja a reconhecerem a força desses sinais, que desafiam sua incredulidade. Por isso, o Santo Agostinho apela para que os incrédulos deixem de ignorar os sinais visíveis e se envergonhem diante da evidência de suas próprias percepções. Ao se ver o cumprimento das profecias e os efeitos palpáveis da verdade, é necessário acreditar não apenas no que se pode ver, mas também no que está além da visão física, consolidando a fé como resposta à clareza dos indícios.
Quem tem fé não duvida, não perde a esperança.
Quem tem fé não duvida, não perde a esperança.
A Igreja é testemunha viva do cumprimento das profecias acerca de Cristo, reforçando que a incredulidade diante da mensagem divina não se justifica. Embora muitos dos eventos fundamentais relacionados a Cristo, como o nascimento virginal, os milagres, a Paixão, a Ressurreição e a Ascensão, não tenham sido vistos diretamente pelos incrédulos, suas consequências e os indícios claros são evidentes na realidade presente da Igreja. A expansão da Igreja por todo o mundo e seu impacto sobre diversas nações cumprem promessas divinas anunciadas nos salmos e nos profetas, como a bênção de Abraão e a adoração de Deus por povos de toda a terra. Esses sinais comprovam que a fé cristã não é desprovida de evidências, e que os testemunhos proféticos e históricos sustentam sua verdade.
Além disso, destaca-se a transformação das nações que abandonaram idolatrias e passaram a adorar o Deus cristão, cumprindo outra profecia: que os povos viriam ao verdadeiro Deus, não caminhando fisicamente, mas pela crença que nasce nos corações. Essa adesão ao cristianismo demonstra o poder da fé e da mensagem divina, que se manifesta em mudanças profundas na humanidade. Embora não se possa ver diretamente os eventos passados, o presente da Igreja e sua glória evidente revelam o cumprimento das profecias, desafiando os incrédulos a reconhecerem a clareza dos indícios e a abraçarem a fé nas coisas invisíveis.
A Igreja serve como um testemunho vivo das profecias cumpridas e um prenúncio das futuras. Ela confirma as verdades antigas e aponta para o que ainda está por vir. As profecias sobre Cristo e sobre a Igreja foram preditas e se cumpriram em ordem, desde seu nascimento e missão até a promessa do juízo final e da ressurreição dos mortos. Dessa forma, torna-se irracional negar as verdades passadas e futuras apenas porque não podem ser vistas, quando há testemunhos presentes que confirmam sua validade. A base dessa fé está nos escritos proféticos, que desde tempos antigos anunciaram eventos futuros que, agora cumpridos, se tornam evidências concretas para aqueles que ainda duvidam.
Há destaque também para o papel dos judeus na conservação das profecias sobre Cristo e a Igreja, apesar de sua incredulidade. Mesmo que não compreendam a profundidade das Escrituras que carregam, sua própria existência e dispersão pelo mundo confirmam as previsões dos profetas. Sua resistência e cegueira espiritual já haviam sido anunciadas, e sua sobrevivência não se dá por acaso, mas pelo juízo divino, que os mantém como testemunhas involuntárias da verdade cristã. Ainda que sejam opositores da fé cristã, continuam a preservar as escrituras que atestam as promessas divinas. Assim, sua presença, mesmo sem adesão plena à mensagem, serve para reforçar a autoridade das Escrituras e fortalecer a fé naquilo que foi predito e cumprido, consolidando o argumento da necessidade de crer naquilo que não se vê diretamente.
Ainda que não houvesse testemunhos proféticos sobre Cristo e a Igreja, a evidência das transformações na humanidade seria motivo suficiente para crer. A destruição das idolatrias e a aceitação universal do nome de Cristo demonstram uma clareza divina que iluminou o gênero humano. A oposição e os desafios enfrentados pela fé cristã são apresentados como estímulos para a disciplina e firmeza espiritual. O texto reforça que os eventos relacionados a Cristo, como sua crucificação e a propagação da fé pelos Apóstolos, já haviam sido anunciados pelos profetas e que sua realização é prova da veracidade das Escrituras. As palavras dos Apóstolos, espalhadas pelo mundo, confirmam o cumprimento das profecias, mostrando que a fé em Cristo e na Palavra divina transcende as barreiras do tempo e espaço.
Dirigindo-se aos fiéis, o sermão incentiva a nutrição e o crescimento da fé, alertando contra os perigos que podem enfraquecê-la, como os enganos de pagãos, judeus incrédulos, hereges e cristãos corruptos. Esses inimigos internos e externos são reconhecidos nas profecias, como no “Cântico dos Cânticos”, que compara a Igreja a um lírio entre espinhos, destacando sua pureza em meio às dificuldades. A metáfora da rede lançada ao mar ilustra a mistura entre bons e maus dentro da comunidade cristã, enfatizando que a separação definitiva ocorrerá apenas no fim dos tempos, transformando aqueles com maus costumes e garantindo a vida eterna aos justos. O texto reforça que as promessas eternas de Cristo, assim como os eventos temporais preditos, se realizarão, convocando os fiéis a perseverarem na fé enquanto aguardam a plenitude da verdade divina.

Então, meus irmãos, como anda nossa fé em Cristo e na Igreja que dá testemunho d'Ele? Para quem não leu a primeira parte pode acessar por meio desse link: https://antigoministerio.wixsite.com/my-site-1/post/f%C3%A9-os-olhos-da-alma-parte-1

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SOBRE MIM

Pai, esposo, devoto de São José e catequista que, entre idas e vindas, fui mais uma vez resgatado pelo amor do Pai e desejo compartilhar experiências, dúvidas e conhecimentos sobre catequese e tudo que a ela se relaciona.

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